No dia em que a AL foi tomada em protesto por estudantes, o presidente Nelson Justus (DEM) fez um discurso contundente, no qual defendeu sua permanência à frente do comando da Casa; assegurou que irá passar o Legislativo “a limpo”; reconheceu erros; avaliou que a instituição está sendo injustiçada; e se comprometeu em demitir funcionários do gabinete.
Com tom de agradecimento ao apoio dos deputados, Justus pediu um voto de confiança, alegando que precisa de tempo para tomar todas as providências necessárias no processo de transparência.
- “Nós não podemos mais errar daqui pra frente”, disse ele, que tem 5 anos como presidente da Casa e está no quinto mandato de deputado estadual. - “Que aconteceram erros no passado, nenhum de nós aqui dúvida. E esses erros vêm ao longo de décadas. Não começou ontem nem anteontem. Esses erros vêm se acumulando. E nós quando assumimos, assumimos um compromisso de consertá-los. E vínhamos fazendo esse conserto”, disse.
Justus apontou novamente o processo de recadastramento dos funcionários – anunciado em 10 de março, depois do início da série de reportagens “Diários Secretos” a Gazeta do Povo e RPC TV e que deve ser concluído até amanhã – como a saída para resolver os “erros”.
Falando do plenário, de onde não podia ser questionado sobre pontos importantes na série de denúncias que envolvem a Assembleia, ele não tocou em questões importantes. Não explicou por que Assembléia mantinha os diários oficiais inacessíveis, por que há 2.178 atos secretos, quem ficou com o salário de funcionários fantasmas e laranjas, como e para quem foram feitos 641 pagamentos que somam R$ 59,6 milhões, por que o Legislativo contratou 1,8 mil pessoas em três anos e como os setores mais importantes da Casa – Presidência, primeira-secretaria e direção geral – reuniam até mais de uma centena de funcionários no espaço de pequenas salas.