terça-feira, 11 de maio de 2010

Mais sujeira? – Assim não agüento!

Entidade com sede no Paraná é acusada de desviar R$ 300 milhões em verbas federais.

Em Londrina, dos R$ 34 milhões recebidos pelo Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap), R$ 10 mi foram desviados. Onze pessoas já foram presas, entre elas, o proprietário do CIAP, Dino Carmo.

A Polícia Federal está prendendo, na manhã desta terça-feira (11), envolvidos em um esquema milionário de desvio de recursos federais comandado por uma entidade com sede no Paraná. Trata-se do Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap), sediado em Curitiba, que é suspeito de desviar R$ 300 milhões nos últimos cinco anos – R$ 10 milhões somente em Londrina, onde se concentram as prisões no estado.

O trabalho, batizado de Operação Parceria (em referência ao instrumento jurídico firmado entre a organização e os entes púbicos) é feito ainda nos estados de São Paulo, Goiás, Maranhão e Pará. Segundo a assessoria de comunicação da PF, por volta das 10h45, 11 pessoas já tinham sido presas, sendo cinco em Londrina. Entre os detidos está o proprietário do Ciap, Dinocarme de Oliveira. Ele foi preso na residência dele em Curitiba.

Os policiais estão cumprindo, nesta manhã, 40 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de prisão temporária, expedidos pela 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba. A investigações e as prisões são feitas em parceria com a Controladoria Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal e a Receita Federal.

A polícia diz que, para desviar os recursos para pessoas e empresas do grupo, o Ciap valia-se da condição de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), modalidade jurídica para associações civis estabelecerem contratos com os poderes públicos, conhecidos como “termos de parceria”. Segundo as investigações, o Ciap se tornou uma Oscip com o propósito único de se apropriar ilegalmente de verbas recebidas por meio das parcerias com as administrações públicas.

O esquema

De acordo com a Receita Federal, aproximadamente 30% dos recursos recebidos pelo Ciap eram transferidos para uma conta bancária específica da entidade, sob a justificativa de cobrir despesas administrativas. Desta conta, ainda conforme a Receita, a organização fazia retirada de grandes volumes, sempre em dinheiro em espécie e sem identificação, alegando se tratar de pagamento para empresas fornecedoras. Contudo, as investigações apontaram que as empresas pertenciam a parentes ou pessoas de confiança dos responsáveis pelo CIAP.

Segundo a assessoria de imprensa da PF, a estrutura da organização seguia os seguintes passos: “identificação de recursos públicos disponíveis para celebração de termos de parceria ou convênios; atuação prévia de lobistas pertencentes ao grupo para direcionar com favoritismo aos recursos para o CIAP; celebração de “termo de parceria ou convênio” com valores superdimensionados; além de outros artifícios para garantir a apropriação dos recursos recebidos através das parcerias, a organização criminosa estruturou vultosos saques em espécie e movimentações financeiras com a utilização de interpostas pessoas físicas e empresas mantidas pelo grupo; posterior manipulação da contabilidade da OSCIP e da prestação de contas das parcerias para dificultar o rastreamento dos recursos públicos desviados.”
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Ciap, que ficou de retornar a ligação.

Atuação do Ciap

Na página da Internet, um vídeo mostra todas as atividades desenvolvidas pelo Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap) no Brasil. Em Londrina, a entidade gerenciava a contratação de funcionários para a Policlínica, Samu, agentes de endemias, Programa Saúde da Família (PSF) e PSF Indígena e Sistema de Internação Domiciliar. No Paraná, o grupo também atuava em Ibiporã, Guaratuba e Colombo.

O Ciap também tem forte atuação no estado de São Paulo, principalmente, no gerenciamento de serviços ligados à saúde pública. A entidade atua em cidades como São Paulo, Caçapava, Matão, Sertãozinho, Ourinhos e Pirajuí.

O grupo também mantém contratos com governos do Mato Grosso e Maranhão. Nestes dois estados, o Ciap gerencia a contratação de servidores para o Detran.( Daniel Costa – Jornal de Londrina)